Um ano depois do temporal, a Toyota religa a fundição de Porto Feliz — e o motor do Corolla segue importado até 2028

A fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz perdeu o telhado num temporal em setembro de 2025. Um ano depois, a fundição voltou a funcionar em estrutura nova, mas o motor 2.0 do Corolla só deve ser feito de novo no Brasil em 2028.

Um ano depois do temporal, a Toyota religa a fundição de Porto Feliz — e o motor do Corolla segue importado até 2028

A Toyota religou a fundição e a usinagem da sua fábrica de motores de Porto Feliz, no interior de São Paulo, quase um ano depois de um temporal arrancar o telhado da planta e interromper a produção. A retomada é parcial: o motor 1.5 flex volta a ser feito por aqui, mas o 2.0 que equipa o Corolla continuará sendo importado, e a produção nacional dele foi adiada para 2028.

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O episódio foi em 22 de setembro de 2025. Um vendaval descrito pela montadora como microexplosão atmosférica — um fenômeno em que a massa de ar de uma tempestade despenca e se espalha pelo chão em rajadas violentas — atingiu Porto Feliz com ventos estimados em 90 km/h. O telhado foi quase todo arrancado e estruturas metálicas ficaram retorcidas. Os funcionários haviam sido retirados da planta antes do desabamento, e não houve vítimas.

Porto Feliz não é uma fábrica de carros: é onde a Toyota faz os motores que abastecem as linhas de montagem brasileiras. Quando ela parou, parou o abastecimento de toda a operação nacional.

O que voltou, o que ainda não voltou

A resposta imediata foi importar. A montadora buscou motores e componentes em fábricas do Japão, da Europa e de outros países asiáticos e retomou a produção de veículos em 3 de novembro de 2025, cerca de 40 dias depois do temporal. Em janeiro de 2026 uma operação provisória foi montada em Sorocaba para segurar o essencial enquanto a planta original era reconstruída.

Agora a fundição (a etapa em que o alumínio derretido vira o bloco bruto do motor) e a usinagem (o acabamento de precisão desse bloco, que abre os furos e dá as medidas finais) voltaram a funcionar em Porto Feliz, numa estrutura refeita que a Toyota afirma ser 45% mais resistente do que a anterior. A capacidade nesta fase gira em torno de 400 motores por dia, e cerca de 150 funcionários devem estar de volta até o fim de 2026. A montagem final dos motores, porém, ainda acontece em espaço alugado, e a operação plena da fábrica só é esperada para 2028 — prazo que, segundo a Toyota, pode ser antecipado.

Na prática, hoje sai de Porto Feliz o 1.5 flex, usado em Yaris Cross, Corolla e Corolla Cross. O 2.0 do Corolla e o 1.8 do sistema híbrido seguem vindo de fora.

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Por que isso aparece no preço do seu carro

Motor importado custa mais caro do que motor feito aqui, e não só pelo frete: entra imposto de importação, entra variação do dólar e entra o risco de o navio atrasar. Enquanto o 2.0 vier de fora, essa conta fica dentro do preço do Corolla brasileiro — e, se o câmbio piorar, é um dos itens que pressiona reajuste de tabela.

Há também o lado do conteúdo nacional. Motor feito no Brasil conta pontos em programas de incentivo e em compras de frota, e é o que sustenta a cadeia de fornecedores em volta da fábrica. Dois anos a mais de importação significam dois anos a mais de pedidos que não são feitos a fundidoras, usinagens e transportadoras daqui.

Para quem está de olho no carro em si, o recado é mais prático: nada muda no produto que está na loja. O Corolla continua saindo da linha com o mesmo motor de sempre — a diferença é onde esse motor nasceu. O que vale acompanhar é o calendário de 2028: é ele que diz quando a Toyota volta a ter a operação de motores completa no Brasil, e é dele que depende a próxima geração do sedã mais vendido da marca por aqui.

Fonte: Notícias Automotivas, Autoo.

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