A CFMoto anunciou na sexta-feira (9) um acordo com a FIM e com a Dorna WSBK Organization para que a 675SR-R se torne a moto oficial do WorldWCR, o Mundial Feminino de Velocidade, a partir da temporada 2027. O contrato vale por três temporadas e marca a primeira vez na história que uma fabricante chinesa é designada fornecedora exclusiva de um campeonato monomarca de nível mundial da FIM.

O WorldWCR foi criado em 2024 como o primeiro mundial de velocidade disputado exclusivamente por mulheres, e nasceu sendo um campeonato monomarca — todas as pilotas correm com a mesma moto, preparada do mesmo jeito, de modo que a diferença no cronômetro seja da pilota e não do orçamento da equipe. Desde a estreia, essa moto era a Yamaha YZF-R7, a mesma que acabou de ganhar preço no Brasil. A partir de 2027, o grid inteiro troca de máquina.
O que a 675SR-R tem que a R7 não tinha
A diferença mais direta está no motor. A R7 usa um bicilíndrico; a 675SR-R traz um tricilíndrico de 675 cm³ arrefecido a líquido, desenvolvido pela própria CFMoto, com 95 cv (70 kW) a 11.000 rpm e 70 N·m a 8.250 rpm na versão de rua — o catálogo europeu da marca anuncia 90 cv para o mesmo modelo. Na configuração de corrida, a organização espera que ela entregue cerca de 15 cv a mais do que a Yamaha entregava.
A moto não é estreante em pista: acumula duas temporadas de desenvolvimento no British Superbike, onde se tornou a primeira moto de produção chinesa a subir ao pódio. A afinação teve mão da equipe Aspar, parceira técnica da CFMoto na Moto2 e na Moto3. Pelo acordo, a fabricante assume o pacote completo — preparação das motos de corrida, fornecimento de peças e equipe técnica nos circuitos durante toda a temporada. "A CFMOTO 675SR-R dá às nossas pilotas uma moto mais potente para dominar e um novo desafio para ajudá-las a evoluir", disse Gregorio Lavilla, diretor executivo do WorldSBK.

O que isso tem a ver com quem compra moto no Brasil
A CFMoto já opera no Brasil e vende aqui modelos como a Ibex 450 — mas a 675SR-R ainda não faz parte do catálogo nacional, e não há anúncio de que vá fazer. O que o acordo sinaliza é outra coisa, e ela importa para quem vai às lojas: a indústria chinesa está deixando de disputar só o fundo da tabela de preço e começando a brigar na faixa das esportivas médias, que no Brasil é justamente onde ficam a Yamaha R7, a Honda CB 650R e as 400 da Triumph.
É também um atalho de reputação. Campeonato monomarca é o teste mais público que existe para um projeto: a mesma moto, nas mãos de dezenas de pilotas, um fim de semana atrás do outro, sem desculpa de equipe. Se a 675SR-R aguentar três temporadas de WorldWCR sem escândalo de confiabilidade, o argumento de que "moto chinesa não dura" perde o principal ponto de apoio que ainda tem. Para o comprador brasileiro, é a diferença entre comparar preço e comparar produto.
Ficha técnica — CFMoto 675SR-R
Item | Especificação |
|---|---|
Motor | tricilíndrico de 675 cm³, arrefecido a líquido |
Potência | 95 cv (70 kW) a 11.000 rpm |
Torque | 70 N·m a 8.250 rpm |
Câmbio | manual, com quickshifter de série |
Freios | ABS de série |
Eletrônica | controle de tração ajustável, painel TFT curvo de 5 polegadas |
Preço | € 7.995 na Espanha; não vendida no Brasil |
Fonte: Moto.com.br, Visordown, Cycle News.

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