A KTM confirmou o preço da 690 Rally no Reino Unido — £ 11.499 — e marcou a chegada às concessionárias para outubro. A moto é uma trail de tanque grande construída sobre a base da 690 Enduro R, e a própria fábrica a apresenta como sucessora espiritual da 640 Adventure, o modelo que nos anos 2000 levava mochileiro de moto para o meio do nada e voltava.

O segmento de trail média vive uma disputa específica: motos de um ou dois cilindros, leves o suficiente para levantar sozinho depois de uma queda, mas com autonomia para encarar um dia inteiro de estrada de terra sem posto. A referência da categoria é a Yamaha Ténéré 700, e a versão Rally dela custa £ 11.108 no Reino Unido — ou seja, a KTM entrou praticamente colada no preço da rival.
A diferença de conceito está no cilindro a menos. Enquanto a Yamaha usa um bicilíndrico, a KTM manteve o monocilíndrico LC4, que é mais leve, mais simples e vibra mais — a escolha clássica de quem privilegia peso baixo sobre conforto de estrada.
Três tanques e um seletor no guidão
O motor é o LC4 de 692,7 cm³, com 79 cv e 73 Nm de torque, ligado a um câmbio de seis marchas. O peso a seco é de 161,5 kg, o vão livre do solo é de 265 mm e a altura do assento, de 935 mm — número que vale sublinhar: é uma moto alta, feita para pilotar em pé na terra, e quem tem menos de 1,80 m vai apoiar a ponta do pé no semáforo.
A solução mais interessante é o combustível. São 20 litros no total, mas divididos em três tanques: um de 13 litros atrás e dois de 3,5 litros montados na frente, junto à torre de rali. O piloto escolhe de qual tanque puxar por um botão no guidão, e a luz de reserva acompanha o tanque selecionado. Dividir o peso do combustível entre frente e trás mantém o equilíbrio da moto mais constante conforme o tanque esvazia — problema clássico de trail com tanque único e grande.
A suspensão é WP XPLOR nas duas pontas, com garfo invertido de 48 mm e 265 mm de curso na frente e 250 mm atrás, com sistema de alavancas Pro-Lever. Os freios são Brembo, com disco de 300 mm na frente e 240 mm atrás. As rodas são raiadas, de 21 polegadas na frente e 18 atrás — medida de moto de terra, não de asfalto. A eletrônica inclui painel TFT de 4,2 polegadas, *quickshifter* (troca de marcha sem embreagem) bidirecional, ABS com modo off-road e um modo Rally, que permite ajustar o controle de tração conforme o piso.

O que isso interessa a quem pilota no Brasil
A KTM não confirmou a 690 Rally para o mercado brasileiro, e o preço britânico não se converte direto — moto importada chega aqui com uma camada de impostos e frete que muda completamente a conta. Não vale fazer a multiplicação por conta própria.
O que interessa mesmo é a tendência que a moto representa. Trail de fábrica com torre de rali, tanques auxiliares e assento alto deixou de ser preparação de oficina e virou item de catálogo — e isso pressiona as marcas que vendem trail média no Brasil a oferecer algo parecido. Para quem viaja de moto por estrada de terra por aqui, os 20 litros divididos e o vão livre de 265 mm são exatamente os dois números que resolvem o problema real: distância entre postos e barranco no meio do caminho. Se a fórmula pegar lá fora, é questão de tempo até aparecer versão equivalente nas trails que já se vendem no país.
Ficha técnica — KTM 690 Rally 2027
Item | Especificação |
|---|---|
Motor | LC4 de 692,7 cm³, monocilíndrico, 4 tempos |
Potência | 79 cv |
Torque | 73 Nm |
Câmbio | 6 marchas, com quickshifter bidirecional |
Freios | Brembo, disco de 300 mm (diant.) e 240 mm (tras.) |
Suspensão | WP XPLOR: garfo invertido de 48 mm com 265 mm de curso; 250 mm atrás |
Peso | 161,5 kg a seco |
Altura do assento | 935 mm |
Tanque | 20 litros (13 l atrás + dois de 3,5 l na frente) |
Preço | £ 11.499 (Reino Unido) |

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